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Embarcamos no cruzeiro pelo Nilo de duas noites que nos levaria até Luxor, passando antes pelos Templos de Kom Ombo e Edfu. Vários navios saem de Aswan e percorrem a distância até Luxor. No deque superior foi possível ir admirando as paisagens pelo Nilo, com ambas as margens bem visíveis. Ora uma região mais desértica, ora algum povoado.

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Chegamos a Kom Ombo ao anoitecer. Situada na margem direita do Nilo a 40 Km de Asswan, a cidade é um importante destino turístico, em razão de ter um templo de época greco-romana, mais precisamente ptolemaico, dedicado a duas divindades: o deus crocodilo Sobek e o deus falcão Horus. É o único templo em todo o Egito dedicado a duas divindades.

Entrada do Templo de Kom Ombo

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Foi o único templo que visitamos a noite e além da magnitude e beleza do local o luar deixou o passeio ainda mais fantástico. Deixamos a cidade de 60 mil habitantes de Kom Ombo e voltamos ao cruzeiro pelo Nilo. Na manhã seguinte depois de tomarmos um café no navio chegamos na cidade de Edfu, para visitar o Templo de Hórus, também da época ptolomaica. O Templo de Hórus, além de ser um dos mais conservados do Egito, está localizado num dos principais pontos de passagem das antigas caravanas.

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Entrada do Templo de Horus em Edfu

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DSC06456O Templo de Horus em Edfu é um dos templos mais bem conservados do Egito. Sobrevivendo a eras de destruição religiosa e guerras, mantém praticamente preservadas as suas relíquias.

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Deixamos o Templo de Edfu e seguimos pelo Nilo em direção a magnífica cidade de Luxor, que no passado foi também uma capital do Antigo Egito, em um tempo posterior as dinastias que construíram as Grandes Pirâmides em Gizé. Em Luxor, os Faraós buscaram uma outra forma de se preparar para a viagem ao reino dos mortos. Toda a glória do antigo Egito se punha agora no Vale dos Reis em Luxor.

Voar no sul do Egito não é para todo mundo. Saímos cedo do hotel e já no aeroporto de Aswan, nos deparamos por um caos, onde talvez milhares de turistas de dezenas de excursões se entulhavam em um cenário pitoresco para dizer o mínimo. O mais engraçado foi descobrir que os bilhetes nominais não eram uma prioridade por ali. Nosso guia foi distribuindo os bilhetes para o nosso avião, e cada um de nós recebeu um nome completamente diferente. Também cada bilhete trazia um horário diferente de vôo. E o avião? Um antigo MD-31 de 1969 da Air Memphis.

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Chegamos no aeroporto de Abu Simbel, pouco mais de 40 min de vôo depois. Entramos em uma van novamente e seguimos em direção ao Templo de Abu Simbel, as margens do Nilo. O complexo de 2 templos não está hoje no mesmo local onde foram construídos por ordem de Ramsés II em sua homenagem, e de sua esposa Nefertari.  Devido à construção da represa de Aswan e do consequente aumento do Nilo, o complexo inteiro foi movido do seu local original durante a década de 1960 com apoio da UNESCO a fim de ser salvo de ficar submerso. Os templos foram construídos por ordem do faraó Ramsés II no século XIII a.C. durante a XIX dinastia. A construção começou a cerca de 1284 a.C. e terminou aproximadamente vinte anos mais tarde. Com o passar do tempo, os templos ficaram cobertos pela areia quase que completamente e foram redescobertos em 1813.

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Gravura do final do século XIX mostrando o Templo de Abu Simbel

Mudança do local do complexo de templos de Abu Simbel em 1960

O complexo de Abu Simbel é constituído por dois templos. Um maior, dedicado ao faraó Ramsés II e aos deuses Rá(Ra-Harakhty), Ptah e Amun, e um menor, dedicado à deusa Hathor, personificada por Nefertari, a mais amada esposa de Ramsés II de entre as mais de 100 que Ramsés possuía. A fachada do templo principal tem 33 metros de altura e 38 metros de largura. Possui quatro estátuas com vinte metros de altura que representam o faraó Ramsés II sentado ostentando a coroa dupla da unificação entre o alto e o baixo Egito. É de uma beleza incrível. No interior existe uma câmara principal e algumas salas secundárias com dezenas de inscrições. Não é possível fotografar o interior. Acredite. Tentei tirar umas fotos e quase perdi a minha câmera por isso.

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Grande Templo de Ramsés II em Abu Simbel

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DSC06272DSC06248EGIPTO (779)Templo de Nefertari em Abu Simbel

Pegamos novamente a estrada em direção ao aeroporto e de novo o vôo da Air Memphis a Aswan. Na cidade passamos em um belo museu da cidade de antiguidades, com relíquias da região, passando do antigo Egito até peças arábes.

DSC06296No final do dia embarcamos em um navio que nos levaria por um cruzeiro de duas noites até a cidade de Luxor e o Vale dos Reis. No caminho passaremos pelos templos de Edfu e Kom Ombo.

 

 

Chegamos logo no começo da manhã a cidade de Aswan. Ainda dentro do trem foi servido um café da manhã, se é que aquilo poderia ser chamado de pão e café. Aswan dista cerca de 950 quilômetros ao sul do Cairo, é a maior cidade da região e seu nome significa “mercado”. A cidade e a região tem diversos pontos turísticos de interesse e teríamos um longo dia pela frente até a hospedagem no hotel ao anoitecer.

3u9o1276083374A bela Aswan no sul do Egito

Saímos da estação de trem e entramos em uma van que nos levou diretamente a um pequeno atracadouro onde dezenas de barcos aguardavam os turistas para os passeios pelo Nilo. Entramos todos em uma embarcação a motor e seguimos em direção a Ilha de Philae, onde fica o magnífico Templo de Ísis, a cerca de 7 km de Aswan.

Philae é uma construção Ptolomaica, isto é , feita pela dinastia grega que governou o Egito Antigo em seu derradeiro momento antes de cair nas mão de Roma e tornar-se uma possessão desta civilização. O general Ptolomeu, do exército de Alexandre o grande, herdou a região após a morte do grande conquistador e deu nome a dinastia lhe seguiu. A própria Cleópatra por diversas vezes veio até o Templo de Ísis prestar homenagens a deusa.

Ao chegar ao Templo fica impossível não se deslumbrar com a beleza, o tamanho e a imponência da construção. Mesmo tendo sido construída muito tempo depois das grandes pirâmides, por volta de 300 A.C, guarda o peso dos anos e a beleza da cultura egípcia/grega.

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Templo de Ísis na ilha de Filae

No final da tarde, fizemos um lindo passeio pelo Nilo, desta vez em uma felucca, embarcação tradicional a vela. Vimos o entardecer e os matizes do pôr do sol pelas encostas do rio, e atracamos em uma de suas ilhas para um típico jantar na casa de uma família. Saboreamos a culinária local, ouvindo histórias da região, e vendo as crianças correndo pela casa.

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Passeio de Felucca ao entardecer no Nilo

Ao final da noite fomos para um hotel em Aswan. No próximo dia bem cedo iremos ao aeroporto da cidade, voar até uma das mais belas construções do Egito antigo. A cerca de 300 km ao sul de Aswan, em uma região chamada de Núbia, ao lado da fronteira com o Sudão. O Complexo de Abu Simbel, construído por Ramsés II por volta de 1284 A.C.

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Complexo de Abu Simbel

Logo pela manhã saímos de Alexandria com destino ao Cairo. Seria o  próximo grande ponto alto da viagem, a visita ao gigantesco complexo do Planalto de Gize, com as 3 maiores pirâmides do mundo e a Esfinge. O dia seria bem intenso, pois iríamos visitar pela manhã as pirâmides, a tarde o Museu do Cairo e ao final do dia iríamos a estação de trem que nos levaria ao sul do Egito.

Pirâmides de Gizé na chegada ao Cairo

Pirâmides de Gizé na chegada ao Cairo

Chegando próximo a região metropolitana do Cairo, voltando ao caos do trânsito local. E surpreendentemente a frente ainda dentro da van a visão deslumbrante de uma das pirâmides. O calor já estava intenso quando chegamos as pirâmides e de qualquer lugar víamos um mar de pessoas já bem cedo pela manhã em quase toda a extensão do planalto. Fomos primeiro fazer um passeio com alguns camelos e explorar a bela região. Fazia perto de 50 graus ao sol. Havia uma semana que um intenso calor assolava a região do Cairo e ali em Gizé no deserto e sem presença de qualquer vegetação a sensação térmica ficava ainda mais intensa.

Planalto de Gizé

Planalto de Gizé

Depois do incrível passeio com as pirâmides ao fundo, fomos direto a base da maior delaa, a pirâmide de Quéops. Com mais de 137 metros de altura é a maior e mais antigas das 3 grandes pirâmides, e se acredita ter sido construída para ser a tumba do Faraó Quéops da quarta dinastia, cujo reinado se estendeu de 2551 a 2528 a.C. (século XXVI a.C.). Durante mais de quatro mil anos foi a mais alta construção humana do mundo. Imagine estar tão próximo de algo com quase 5.000 anos de idade, poder tocar, andar a sua sombra e sentir toda a grandeza da história. Difícil descrever o que se sente em Gizé…

Ao lado da grande Pirâmide

Ao lado da grande Pirâmide

Após quase uma hora andando no entorno das pirâmides e quase sem poder entender a complexidade e beleza daquele lugar, fomos caminhando até a grande Esfinge de Gizé. A esfinge egípcia é uma antiga criatura mística usualmente tida como um leão estendido associada a com uma cabeça humana, usualmente a de um faraó. A grande esfinge é uma das maiores estátuas lavradas numa única pedra em todo o planeta e foi construída pelos antigos egípcios no terceiro milênio a.C.. Durante boa parte da história recente esteve quase totalmente enterrada pela areia do deserto.  Napoleão por exemplo quando das guerras napoleônicas no século XVIII ao invadir o Egito, apenas pode observar parte da cabeça da esfinge. O restante do corpo estava sepultado por toneladas de areia e sedimentos causados pelo tempo.

Complexo Esfinge e Pirâmides

Complexo Esfinge e Pirâmides

 

 

Perfil da Esfinge

Perfil da Esfinge

A tarde fomos visitar o maior museu de egiptologia do mundo, o Museu do Cairo. Com dezenas de milhares de artefatos históricos, infelizmente não tem uma boa estrutura interna e o calor por alguns momentos se tornou insuportável. Mas é sem dúvida um dos mais fantásticos do mundo. Centenas de documentos, estátuas, papiros, múmias.

Entrada Museu do Cairo

Entrada Museu do Cairo

museu tem cerca de cem salas de exposição que ocupam dois pisos e uma grande biblioteca. É detentor da maior coleção de arte faraônica do mundo. É impossível registrar aqui toda a quantidade de peças e informações históricas contidas no museu, mas apesar do calor daquele dia, é uma parada obrigatória na cidade.

Plataforma do trem em Gizé a noite

Plataforma do trem em Gizé a noite

Já estava escurecendo e após um longo e cansativo dia, fomos em direção à estação de trem de Gizé, para embarcar no trem noturno para Aswan no sul do Egito. A maior surpresa depois de um longo e extremamente quente dia, andando nas areias do deserto, foi o de não ter um chuveiro para banho no trem. A solução? banho na pia minúscula da cabine do trem. Em uma aventura como essa temos de estar prontos para tudo…

Mapa geral do Egito - Cairo a Asswan

Mapa geral do Egito – Cairo a Asswan

Alexandre o Grande, general da Macedônia fundou a cidade que receberia o nome em sua homenagem em 331 a.C, em um local próximo ao delta do Nilo, e as margens do mar Mediterrâneo. O antigo porto de Alexandria possuía em sua entrada uma das consideradas 7 maravilhas do antiguidade, o Farol de Alexandria (imagem acima).

O último Faraó nativo do Egito foi derrotado pelos Persas em 343 a.C. A partir deste momento, o Egito estaria sob domínio de povos ou nações estrangeiras por mais de 2.000 anos, quando apenas obteve sua independência em 1952. Após os Persas, os Gregos com Alexandre tomaram a região em 331 a.C e instalaram um governo mantendo as tradições locais. Após a morte de Alexandre nas guerras no continente asiático, um de seus generais assumiu seu legado e se auto proclamou Ptlomeu I, iniciando uma nova Dinastia de Faraós Ptolemaicos que terminaria apenas com Cleópatra em 31 a.C.

A cidade de Alexandria atual tem cerca de 4 milhões de habitantes, e é a segunda maior cidade do país depois do Cairo. Chegamos em um final de tarde a Alexandria, pela auto estrada do deserto, que liga ambas as cidades através de 220 km. No caminho, passamos pelo mosteiro copta em Wadi Natrun, que remonta ao 4 século d.C., um dos mais antigos do mundo.

Mosteiro em Wadi

Mosteiro em Wadi Natrun

Na manhã seguinte em Alexandria visitamos os pontos turisticos mais marcantes da cidade: O Pilar de Pompeu, resquício do Império romano; as catacumbas de Kom el Shukafa; O forte Qaitbay, que era um dos marcos de defesa da antiga cidade; e a nova Biblioteca de Alexandria.

Pilar de Pompeu

Pilar de Pompeu

A antiga biblioteca de Alexandria foi provavelmente a maior e, certamente, a mais famosa das bibliotecas do mundo antigo. Prosperou durante o governo grego e funcionou como um importante centro de estudos, desde o tempo da conquista romana do Egito, e provavelmente por muitos séculos depois. A antiga biblioteca foi destruída em um incêndio em torno do século I a.C. A nova e bela Biblioteca foi inaugurada em 2002, muito perto do local da antiga.

Fachada externa da Biblioteca atual

Fachada externa da Biblioteca atual

Espelho d`água em frente a Biblioteca

Espelho d`água em frente a Biblioteca

Interior da Biblioteca em AlexandriaInterior da Biblioteca em Alexandria

Nosso almoço foi em um restaurante próximo ao porto, com um final de tarde magnifico de frente ao Mediterrâneo. saboreamos um autêntico prato a base de frutos do mar, admirando ao fundo o porto e o forte Qaitbay.

Forte Qbaity

Forte Qaitbay

Na próxima manhã voltaremos para o Cairo, e pela primeira vez estaremos de frente às incríveis pirâmides do planalto de Gize.

“All things dread time,but time dreads the pyramids”

“Todas as coisas temem o tempo, mas o tempo teme as pirâmides” – antigo provérbio egípcio

Camelos no Planalto de Gizé

Existem talvez duas coisas que ao se falar no Egito vem a mente imediatamente: as pirâmides e o rio Nilo. A história do Egito se confunde com o vale do Nilo, desde o sul do país na fronteira com o Sudão, até a sua foz, no Delta próximo a Alexandria, no mar Mediterrâneo. É justamente por causa da existência deste grande rio que foi possível o desenvolvimento de uma sociedade tão próspera, rica e desenvolvida, que acabou por se tornar na primeira potência mundial, a quase 5.000 anos atrás.

rio Nilo

As terras férteis ao largo do Nilo concentraram a população no seu entorno. Nelas, que representam apenas cerca de 2% do total territorial do Egito, o cultivo de trigo e outros grãos foi capaz de garantir o sustento e alimentação de uma população crescente, e no futuro, garantir o pagamento de centenas de milhares de trabalhadores, que iriam construir algumas das obras de arquitetura mais fascinantes da história humana.

Deus Sol – Rá

O Nilo também serve de divisor para o ciclo de vida dos egípcios. A seu leste, onde nasce o Deus Sol Rá, foram erguidas todas as principais cidades do antigo Egito – Memphis (próxima a atual Cairo) e Luxor. Do lado oposto a oeste, representando a morte e o ocaso da vida, os egípcios enterravam seus mortos, evoluindo desde pequenas grutas mortuárias, às pirâmides de Giza e o Vale dos Reis em Luxor.

Mumificação

O fascínio pela morte, representado pelo processo de mumificação e pela construção de enormes templos mortuários era causado porque os egípcios acreditavam que após a morte, sua vida seguia um curso semelhante ao que existia em vida, e que eles precisariam de vários artefatos e alimentos que também utilizavam em vida. A importância da vida após a morte era tão grande, que a morada da alma, o corpo terrestre, deveria ser mumificado.

Deus Anúbis e a mumificação

Logo após o falecimento, a pessoa de qualquer posição social era conduzida pelo deus Anúbis para se apresentar ao Tribunal de Osíris, local em que sofria uma avaliação de seus erros. Antes do início do julgamento, era entregue ao falecido o “Livro dos Mortos”, onde obtinha as devidas orientações de seu comportamento durante a sessão a ser realizada. No fim do julgamento, Osíris pesava o coração do falecido em uma balança, e para que este obtivesse provação, seu coração deveria ser tão leve quanto uma pena. Do contrário, ele iria para o submundo dos mortos e sua cabeça, devorada pelo Deus Sebek, com cabeça de crocodilo.

Julgamento no tribunal de Osíris: Deus Anúbis ajoelhado pesando o coração. Atrás dele o Deus Toth (cabeça de Ibis) escrevendo o nome do Faraó. Ao seu lado o Deus Sebek aguardando a decisão.

Para alcançar os céus e a vida eterna, cada Faraó passou a elaborar seu templo mortuário, a fim de ser visto a distância e de alcançar o divino. As construções primevas eram a mastaba, uma forma de túmulo com cobertura retangular. Foi Djoser, Faraó da IV Dinastia que pela primeira vez mandou construir uma mastaba de pedra, a Pirâmide Escalonada ou de degraus.

Pirâmide Escalonada de Djoser, em Dashur – Saqqara

Datada de cerca de 2630 A.C, ou seja com mais de 4600 anos de idade, é a primeira construção desde tipo, sendo erguida em Saqqara, a 30 quilômetros da moderna capital do Cairo. O próximo Faraó do Egito, Snefru procurou evoluir no conceito da construção das mastabas em degraus, passando para a ideia de uma superfície lisa, em formato piramidal aos céus. A Pirâmide Curva, também em Dashur ao sul de Saqqara, foi uma tentativa que se acredita ter sido um erro de cálculo estrutural.

Pirâmide Curva em Dashur – Saqqara. Reparem na redução na angulação

Na medida que perceberam que a inclinação estava equivocada, os arquitetos reduziram o ângulo e a pirâmide ficou com um formato diferente do pretendido, mas que garantiria a sua integridade. Não satisfeito, Snefru mandou que se iniciasse rapidamente a construção de uma nova pirâmide, a Vermelha, que ganhou este nome pela cor do granito de sua construção. Hoje a região de Dashur é pouco visitada se comparada com o planalto de Giza, mas vale muito a pena conhecer e ver de perto as formas alternativas de construção em busca do ideal.

A Pirâmide Vermelha – a 3a maior do Egito

Coube ao filho de Snefru, Quéops (2551 a 2528 A.C), a ideia de construir as maiores pirâmides que existem ainda hoje. No planalto de Giza (Gizé ou Guiza) ao largo do Cairo, existem hoje o complexo maravilhoso de Pirâmides, com a maior delas, a Grande Pirâmide, medindo hoje 137 metros de altura. Ao seu lado estão as Pirâmides de Quéfren e a menor delas a de Miquerinos, todos Faraós posteriores. Próximas a elas existe um grande complexo funerário com pirâmides menores das rainhas e também a famosa Esfinge de Gizé.

Complexo de Pirâmides no planalto de Gizé

No próximo post iniciaremos a viagem pelo Egito, chegando ao Cairo e a viagem por meio terrestre até a cidade de Alexandria ao norte, fundada por Alexandre, o Grande.

Por volta de 6 000 a.C., a agricultura organizada surgiu no Vale do Nilo. Durante o neolítico, diversas culturas pré-dinásticas desenvolveram-se de maneira independente no Alto e no Baixo Egito, coexistindo de maneira separadas, mas com frequentes transações comerciais. Os primeiros exemplos de escrita rudimentar hieroglífica surgiu por volta de 3.200 A.C, próximo ao período onde o Rei Narmer unificou ambos o Alto e Baixo Nilo através de uma campanha militar vigorosa. Ele foi o primeiro de uma sequencia de dinastias de Faraós que governariam o antigo Egito por cerca de 3.000 anos, até a invasão dos persas em 343 A.C.

Mapa do antigo Egito

É impossível conhecer o Egito hoje sem se maravilhar com a grandeza de sua história. Mesmo que você não seja um profundo conhecedor de antiguidade ou de egiptologia, uma viagem a terra dos antigos Faraós fará você buscar ler todo o que possível for para compreender pelo menos um pouco de sua grande sociedade, e apenas vislumbrar como foram capazes de construir monumentos e templos mortuários que venceram os milênios.

templo de Hatchepsut, a rainha Faraó, em Luxor

Este será o primeiro de uma serie de posts que tentaram traduzir um pouco desta fascinante cultura, e do que vi e vivi em uma viagem de dez dias pelo Egito, desde Alexandria às margens do Mediterrâneo, até Abu Simbel, na fronteira com o Sudão. Recomendo uma viagem de no mínimo uma semana, para conhecer a fundo todos os aspectos destas diferentes localidades.

Templo de Ko-Ombo, próximo a Asswan

O melhor a fazer para uma viagem pelo Egito, principalmente por questões de segurança e para ter acesso a informações de sua história é contratar uma empresa de turismo. Descobri com meu guia local que todos os guias egípcios devem ter formação superior em turismo, já que este é a principal fonte de sua economia. Escolhi um pacote pela empresa canadense Gap Adventures (http://www.gadventures.com/). Não tive nenhum problema em toda a viagem, desde a compra do pacote até os passeios.

Interior de tumba mortuária no vale dos Reis

Pode-se chegar ao Cairo de várias formas, e muitos dos passeios feitos ao Egito por empresas maiores são de poucos dias apenas a região de seu entorno, incluindo o planalto de Giza. A maior parte das capitais ou grandes cidades européias tem vôos diretos para lá. Escolhi ir pela Emirates airlines, o que me fez poder incluir Dubai em meu roteiro (ver Post Dubai). O Egito não pede visto para brasileiros. O selo de imigração é comprado no próprio aeroporto de chegada.

a região do Cairo e o vale fértil do Nilo

o vale do Nilo e o deserto do Saara

Esta incrível jornada começa no Cairo. Hoje uma cidade com mais de 22 milhões de habitantes, com um transito caótico e um buzinaço infernal. Da janela do avião pude ver a enorme diferença que faz o vale do Nilo, separando as terras férteis verdes em seu entorno de um deserto amarelo-laranja sem fim.

a vista do avião na chegada ao Cairo, sobre o planalto de Giza

E além dos minaretes que cobrem a cidade, o planalto de Giza com suas três enormes pirâmides, testemunhas da história  de quase 4.500 anos a seus pés…

No próximo post conheceremos um pouco mais da vida e morte no antigo Egito e o início da construção das pirâmides.

Ainda em Roma

Caius Julius César – ícone e maior general de Roma

Roma é uma cidade tão fantástica que em 5 dias é difícil ter tempo para conhecê-la totalmente. Se você já leu meus dois posts anteriores sobre Roma, e ainda quer se apaixonar ainda mais pela cidade, aí vão algumas dicas de passeios incríveis:

1.Piazza Navona (pode-se chegar a pé)

Piazza Navona

Próxima ao Panteão, a Piazza Navona é uma grande área a céu aberto, com grandes monumentos e 3 belas fontes: a  Fontana dei Quattro Fiumi, a Fontana del Moro e a Fontana di Nettuno. Nesta praça também está localizada a sede da Embaixada do Brasil.

Homenagem a Giordano Bruno no Campo dei Fiori

Bem perto dela, o Campo dei Fiori abriga uma rica feira de mercados públicos, além da bela estátua de Giordano Bruno, que foi ali queimado pela fogueira da Inquisição da Igreja Católica, por acreditar na iluminação trazida pelo conhecimento científico.

2. Piazza Spagna (pode-se chegar de metrô ou ônibus)

Ponto de encontro diurno e noturno de romanos e turistas, tem uma enorme e bela escadaria que  leva à igreja de Trinità dei Monti. A fonte no meio a praça em forma de barco é chamada de La Barcaccia.

La Barcaccia – Piazza Spagna

3. Parque Villa Borghese (pode-se chegar de metrô ou ônibus)

Situado na colina Pinciana é o segundo maior parque de Roma, com 80 hectares. Diversos museus e edifícios se localizam em seu interior, além de pistas de corrida e caminhada. Um belo lago convida a um passeio de barco a remo no fim de tarde.

Jardins em Villa Borghese

4. Cidade do Vaticano (pode-se chegar de metrô ou ônibus; a volta pode ser feita a pé)

Vaticano – Praça São Pedro

Cidade Estado dentro de Roma, com cerca de 44 hectares e menos de 800 habitantes, cercada por muros bem elevados. É o menor Estado do mundo, tanto em área quanto em população. Existe desde 1929, após o tratado de Latrão. Vale a pena pela bela praça de São Pedro e pela riqueza do seu museu. Chegue bem cedo, pois o museu fica lotado de turistas e é muito grande. A famosa Capela Sistina fica no final do passeio ao museu, mas não é permitido fotografias no seu interior.

Museu do Vaticano

Roma é uma cidade para se visitar várias vezes, e com calma, para aprender sobre seu passado e apreciar suas belezas. Existem tantos monumentos e tantos locais dignos de registro que um blog de viagens fica pequeno para mostrar tudo.

Obelisco Egípcio na Piazza del Popolo

Roma foi tão grande em sua época que dominou outros Impérios. Na Piazza del Popolo, próximo a Spagna e Villa Borghese, existe um obelisco egípcio do tempo do Faraó Ramsés (cerca de 1200 A.C) que foi trazido para Roma pelo primeiro Imperador de Roma, Caius Julius Cesar Otaviano. Mas, esta história fica para o próximo blog de viagens, no Turistasemfronteiras.

Roma é uma cidade para se conhecer andando por suas ruas. Ainda que exista a opção de se pegar um ônibus ou o metrô, deixe-os apenas para passeios mais distantes, como o Vaticano ou ao Parque Villa Borghese. Fora estes, caminhe pelas ruas e saboreie o espírito de vida dos italianos. Coma uma salada ou uma pizza com uma boa taça de vinho em uma das praças da cidade e veja o dia passar tranquilamente a sua frente.

mapa turístico de Roma

Com um mapa da cidade fica muito fácil escolher um trajeto que inclua para seu dia turístico dezenas de monumentos ou sítios históricos. Saindo da região do Fórum Romano, ainda pela Via del Fori Imperiali, podemos seguir um caminho que nos levará diretamente ao Panteon e a Fontana de Trevi.

A Fontana de Trevi é a maior construção de fontes barrocas da Itália (26 metros de altura por 20 de largura). O aqueduto existente desde os tempos do Império, foi reformado por Bernini em 1629, mas apenas em 1751 ficou finalmente pronta com vários adornos e a estátua de Netuno no centro. O nome da fonte é devido ao cruzamento na antiguidade de três ruas no local do aqueduto – trivium em latim.

A bela Fontana de Trevi

É um dos locais mais bonitos e visitados da cidade, onde além de saborear um gelatto, é costume dos turistas jogar uma moeda de costas para a fonte para garantir um retorno a cidade.

Andando em direção a Piazza Navona, passamos primeiro pelo edifício da época romana em mais perfeito estado de conservação: O Panteon de Roma ou Panteão de Agripa.

A entrada do Panteão de Roma – acima lê-se o nome de Agripa

Construído em 27 A.C., durante a república romana durante o terceiro consulado de Marco Agripa, foi primeiro utilizado como templo dedicado a todos os deuses do panteão romano (daí o seu nome) e, desde o século VII, como templo cristão. É famoso pela sua cúpula e pela beleza do seu interior.  O interior do teto é abobadado, sob uma cúpula que apresenta alvéolos no interior, em direcção a um óculo que se abre para o zénite. Os alvéolos foram pensados para manter a estrutura possível de ser executada e mais leve.

O interior do Panteão – toda a riqueza de mármores no piso e fachadas preservados

Desde o Renascimento que o Panteão é utilizado como última morada de personalidades italianas ilustres, como os pintores Rafael e dois reis de Itália: Vítor Emanuel II e Humberto I.

Esquemática do Panteão

É muito difícil captar uma imagem com a sua beleza interior, que consiga no mesmo quadro o óculo da abóbada e o piso. Consegui esta com uma busca na internet, que dá uma bela visão do que estou tentando descrever:

Interior do Panteão de Roma – http://www.danheller.com

No próximo e último post sobre Roma, visitaremos diversos outros locais que valem a pena conhecer na capital. Fiquei 5 dias na cidade e foi pouco para conhecê-la em toda a sua riqueza de detalhes. Continue com turistasemfronteiras!

Saindo das ruínas do antigo Coliseu, seguimos pela Via Del Fori Imperiali e pouco mais de 500 metros a frente nos deparamos a esquerda com as ruínas do coração da Roma antiga – o Fórum Romano.

Fórum Romano

Era um espaço aberto rodeado de prédios públicos, onde as pessoas realizavam cultos, cerimônias, comércio, atos políticos ou apenas pontos de encontro. Era onde toda a vida pública se realizava nos tempos da República e depois no Império.  O Fórum Romano está situado entre as colinas mais importantes da cidade: o Palatino (onde se situavam os palácios da aristocracia e dos Imperadores) e o Capitolino , onde diz a lenda Roma fora fundada em 753 A.C. Já nessa época a área começou a ser drenada (já que ali existia um enorme pântano), pelos reis Etruscos, e por cerca de 12 séculos foi o centro pulsante da cidade.

visitando o passado romano

O Fórum Romano é atravessado pela Via Sacra, a principal passagem por onde os cortejos de triunfo dos generais romanos desfilavam até o Capitólio.

Atualmente é famoso pelos remanescentes, que demonstram claramente o uso de espaços urbanos durante a Idade Romana. O Fórum Romano inclui os seguintes principais monumentos, edifícios e outras ruínas antigas:

Fonte: ROME AND THE VATICAN 2001-2011. Publicado por Lozzi Roma

Templo de Castor e Pólux

Templo de Rômulo

Templo de Saturno

Templo de Vesta

Templo de Vênus e Roma

Templo de Antonino e Faustina

Templo de César

Templo de Vespasiano e Tito

Templo da Concórdia

Basílica Aemilia

Basílica Giulia

Basílica de Constantino e Maxêncio

Arco de Septímio Severo

Arco de Tito

Arco de Tibério

Arco de Augusto

visão parcial do Arco do Triunfo

Caminhar pelas ruínas do passado de Roma é uma grande viagem no tempo. È possível comprar alguns folhetos e livros onde se vê as imagens atuais sobrepostas por desenhos de com os templos e toda a área era na época de glória do Império Romano, e vislumbrar a imponência de como era esta área. Uma pessoa vinda de fora da cidade, ou de outros locais conquistados pelo Império ao adentrar aquela rua principal, deveria ficar atônita com a grandeza e a beleza da arquitetura romana.

Para se ter uma dimensão do poder e da influência de Roma no mundo antigo, basta vermos um mapa do início do segundo século:

Mapa do Império Romano no ano 117 D.C

È possível ainda subir o monte do Campidoglio e observar toda a região do Fórum por cima, o que dá além de uma bela vista do local e do Coliseu ao fundo, uma compreensão ainda maior da integração dos monumentos e daVia Sacra.

Ruínas do Fórum Romano – vista do alto da colina do Campidoglio

Outra visão das ruínas, com o Coliseu ao fundo

No próximo post continuaremos caminhando por Roma, visitando dois dos mais belos cartões postais da cidade –  o Panteon e a Fontana de Trevi.

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