Nos últimos anos, viajar para mim tem sido muito mais que um hábito. Tem se tornado uma meta de curto, médio e longo prazo, e parte importante de minha vida. Tive oportunidade de conhecer diversos destinos, entre Europa, África, Oriente Médio, Ásia e Américas, cada um com suas inúmeras particularidades, culturas, e diferenças que tornam a comunidade humana única.

Fui conhecer a Rússia, país de enormes e vastas regiões, cheia de contrastes. E em pleno inverno.

A idéia de escrever este relato surgiu para auxiliar os viajantes mais experientes, e principalmente, os que não costumam viajar tanto, principalmente para um local tão diferente de nossa realidade quanto à Rússia. Mas, não há o que temer… a viagem será marcante.

Cheguei a Moscou por volta de 18 h e a temperatura estava em -12 graus. Neve por todo o lado… passei pela imigração sem maiores problemas. Já a bagagem não apareceu na esteira (mas o mesmo aconteceu com outras pessoas). Pensei que teria grandes problemas, mas acabei encontrando a mala em uma sala de achados e perdidos. (não tenho a menor idéia do porque as malas foram parar lá. Mas, tentar me comunicar com a senhora do setor já me mostrou que seria engraçado a comunicação com os russos ). O transfer me levou ao hotel. No aeroporto além das opções do trem Aero expresso que leva a estação no centro da cidade (o aeroporto Dedomodevo fica a cerca de 40 km do centro de Moscou), existem numerosos taxistas oferecendo o serviço. Creio que teria feito a escolha de ir de trem até o metro no centro e de lá procurar a estação próxima ao hotel.

A maior dificuldade será com a barreira do idioma. O alfabeto cirílico é totalmente diferente do nosso. Mas, tentando ler diariamente (o que recomendo) as palavras do cotidiano nas placas, hotel e restaurantes, o idioma vai saindo devagar. Mas, não espere que seja comum encontrar na rua, mesmo em comércios ou shoppings, pessoas falando inglês. Às vezes o básico eles entendem, mas muito pouco mesmo. O mais fácil é procurar apontar o que se quer, rir um pouco, ou escolher restaurantes com cardápios em inglês e com fotos.

De uma maneira geral encontrei um povo amistoso, e tranqüilo, que sorria de minhas tentativas de falar russo, ou deles mesmos tentando falar inglês. Na média, não fica nada diferente das grandes capitais européias em termos de relacionamento social entre povos. Alguns eram mais fechados, outros nem se ligavam que eu não entendia nada em russo, mas continuavam falando. Mas a maioria se esforça para se comunicar com você. Também não me senti inseguro em nenhum momento. Não costumo andar de madrugada pelas ruas, mas mesmo a noite em ambas as cidades, senti um grau de segurança igual ao das maiores cidades da Europa. Como sempre, vale a pena utilizar os cuidados básicos no turismo habitual.

As dicas em Moscou:

  • Faça um city tour com um ônibus de dois andares logo no primeiro dia. Ele passa nos principais pontos da cidade, e melhora muito a noção. Ele sai na praça vermelha, e provavelmente no seu hotel você encontrará dicas.
  • Use e abuse do metrô. Apesar de parecer complicado com o alfabeto cirílico, com um mapa na mão fica muito fácil. Existe também um sistema de cores que ajuda muito. As estações são belíssimas, especialmente na linha circular feita na época de Stalin, e os trens vem em intervalos de menos de 1 minuto. Assim, se você estiver perdido não tenha pressa de se achar no mapa. O custo do metrô em Moscou é de 28 rublos em cada vez que se entra, e se pode fazer diversas baldeações de linhas.
  • Na Praça Vermelha, visite a Catedral de São Basílico, o Kremlin, o túmulo de Lênin, o monumento ao soldado desconhecido, o museu de historia natural, as lojinhas, e porque não o shopping GUM para ver que realmente o comunismo acabou. Existe outro shopping subterrâneo em frente ao monumento do soldado desconhecido que tem preços melhores para se comer, com serviços tipo buffet. Normalmente gastei cerca de 30 reais para duas pessoas.
  • Visite a rua Old Arbat, com suas lojinhas de souvenirs e restaurantes. Ela funciona até às 22 horas.
  • Visitei também o Museu Espacial (em frente à estação de metro VDNK) e foi muito interessante.
  • Outra dica para comer é o café XAY3. (Tanto em Moscou como em São Petersburgo). Tem em vários lugares e serve também refeições quentes.

Entre Moscou e São Petersburgo fiz a opção de ir de trem noturno e na volta de trem rápido (Sapsan). É um pouco mais caro do que de avião, mas considerando o tempo que se perde em check-ins, o histórico da aviação russa, e o clima na época que fui, achei a melhor alternativa. Os trens são muito confortáveis e seguros, e fiz as compras dos trechos pela internet sem problemas. Nas estações tem placas em inglês e russo.

As dicas em São Petersburgo:

  • Faca também o city-tour no primeiro dia para se ambientar com a cidade.
  • O metrô também é o melhor meio de transporte, sendo muito menor em linhas do que o de Moscou. Custa 25 rublos por trecho.
  • Com um mapa na mão fica bem fácil caminhar pela cidade.
  • Visite o Hermitage.
  • Ande pelas margens do rio Neva (quando estive por lá estava congelado…)
  • A rua Nevsky ProspeKt e onde se localizam restaurantes, lojas, e serve como referencia entre os pontos turísticos.
  • Visite a Igreja do Sangue Derramado. Não deixe de entrar e se maravilhar com as imagens, todas feitas de mosaicos.
  • Veja a Catedral de São Isaac, o navio Aurora e o Forte de Pedro e Paulo (localizado em uma das ilhas sobre o Neva)
  • Visite Peterhof – fica a 25 km da cidade às margens do Golfo da Finlândia. Os jardins externos são incríveis.
  • Não deixe de ir a uma apresentação de balé, opera ou concerto no Marisnky Palace. Ou a mais de uma…

Não se esqueça de aproveitar a viagem. Um destino como a Rússia vale a pena ser apreciado.