Estive em Istambul, uma das cidades mais incriveis que já conheci, que une dois continentes (Europa e Ásia) e o Ocidente com o Oriente. A cidade é repleta de uma parte importante da história humana, e modificou vários aspectos dela. Hoje, é uma cidade multicultural, européia e asiática, 90% muçulmana, repleta de mesquitas e alto falantes orando para Alá 5 x ao dia, mas que respeita a sua história católica e multireligiosa. Cheia de contrastes tb nas pessoas, alegras e extrovertidas, com mulheres usando burkas e roupas ocidentais ao mesmo lado. A cidade de Bizâncio foi fundada cerca de 667 antes de cristo, por gregos, em homenagem ao seu Rei Bizas. Foi disputada por anos entre gregos e espartanos, e inclusive foi tomada por Alexandre o Grande. Por se localizar entre a Europa e Ásia, que pelo estreito de Bósforo permite o acesso ao Mar Negro até o interior da Rússia atual, além de sua proximidade com a África e com o Oriente Médio, sempre foi importante entreposto comercial.

No ano 191 D.C passou a ser aliada de Roma, e em 330 D.C o Imperador Romano Constantino a batizou de Nova Roma, dividindo a Capital do Império Romano entre Ocidente (Roma) e Oriente (Nova Roma). Entretanto, o nome que acabou se estabelecendo foi Constantinopla (Cidade de Constantino). Constantino foi o primeiro Imperador Romano a reconhecer o Cristianismo e inclusive se convertendo a nova Religião. O Imperador Justiniano iniciou a construção da Igreja Católica Santa Sofia. Roma caiu invadida pelos bárbaros do centro da europa por volta de meados do ano 400 D.C. Constantinopla, com suas enormes muralhas, resistiu cerca de mil anos mais, cedendo apenas após um cerco de vários anos. O turco Otomano Mehmet II invadiu Constantinopla em 1453, e imediatamente converteu as Igrejas Católicas, incluindo a Santa Sofia em Mesquitas muçulmanas.

O Imperio Otomano se extendia por toda a área do antigo Império Romano do Oriente (Impèrio Bizantino), incluindo regiões da Europa Central (Bulgária, Iuguslávia), Turquia e Meio Oriente (Palestina, Egito e Peninsula Arábica). Na 1a Grande Guerra, se aliou a Alemanha, e a Triplice Aliança (França, Inglaterra e Rússia) saiu vitoriosa, terminando o Sultanato. Com a divisão do territorio Otomano, seguiu-se 5 anos de disputas politicas até que em 1923, um militar Turco – Ataturk – proclamou a República da Turquia, iniciando uma série de modificações culturais, políticas e econômicas.

Chegando ao aeroporto internacional Ataturk, já se pode ver pela janela inúmeras mesquitas, com seus minaretes apontando para o céu. Do aeroporto, um serviço de táxi, ou translado já combinado com o hotel, pode te levar direto ao centro da cidade. O ideal para a escolha de seu hotel é ficar próximo a praça das mesquitas, na parte antiga da cidade, no bairro Sultahnameht. Nesta região além de bons hotéis com vista tanto para as mesquitas quanto para o Estreito de Bósforo, existem vários restaurantes, lojinhas de turismo, um pequeno bazzar, lojas de conveniências, e a pé se pode ir aos principais pontos turísticos da cidade. Também na praça se pode pegar o trem de superfície que conecta ao outro lado do Chifre de Ouro, a Torre Gálata e a parte nova da cidade.

As Fotos abaixo mostram o atual museu de Hagia Sofia (Santa Sofia), que já foi Igreja Católica e Mesquita Muçulmana. Do lado de fora vemos os Minaretes caracteristicos das mesquitas, e por dentro a visão impressionante de imagens católicas e muçulmanas juntas. Reparem no topo da parte interna.

As duas outras fotos são da Mesquita Azul, que ocupa o outro lado da praça do bairro de Sultahnameht. Imaginem a Mesquita de um lado e do lado oposto a Santa Sofia, com um imenso jardim repleto de tulipas coloridas e fontes.

Duas fotos de vistas do Estreito de Bósforo que separa a Europa da Ásia e liga o Mediterrâneo ao Mar Negro. A outra foto é da maior cisterna de Istambul. Construida pelos romanos para suportar os diversos periodos de sitio que a cidade era obrigada a aguentar, para armazenar água para a população.

A última parte são os Bazares, como chamam os Mercados Públicos. Fomos nos 2 principais o Bazar Egípcio ou de especiarias, com as suas cores, cheiros e temperos de todo o oriente. E o Grand Bazzar, o maior de todos. Com mais de 4.000 lojas, e 51 ruas, imaginem a quantidade de coisas para ver…cerâmicas, tapetes, roupas, comidas, chás…

Ficou faltando apenas um detalhe, que liga a história de Constantinopla, Istambul e ao desenvolvimento tecnológico humano, e a nós mesmos. Depois da queda de Constantinopla em 1453, os países Católicos da Europa perderam a antiga rota de comércio com o extremo oriente (seda, especiarias). Isto levou a necessidade dos Reinos de Portugal e Espanha a procurarem rotas alternativas, com Vasco da Gama, Bartolomeu Dias (que dobraram a África) e Colombo e Cabral que chegaram as Américas… De Alexandre o Grande, a Capital do Imperio Romano, e ao Império Otomano. Católica e Islâmica. A única cidade que conecta 2 continentes. E que mudou de várias formas a história humana.

Se possível, conheçam Istambul…Cinco dias é suficiente para conhecer e se apaixonar pela cidade, por suas cores, seus cheiros e sabores exóticos. Para pisar na Europa e na Ásia. Um dia ainda volto por lá para conhecer a região da Capadócia no interior da Turquia.