inicio 2o dia da trilha do Circuito W- Lago Nordenskjöld

Acordamos bem cedo, pois tínhamos um longo dia pela frente. Na véspera à noite, enquanto estávamos dentro dos sacos de dormir, conversamos sobre a estratégia que adotaríamos para o dia de hoje, já que seria necessário percorrer vários quilômetros com todo nosso material nas costas. Antes da viagem havia planejado percorrer 11 Km, até o abrigo Los Cuernos, mas já havia percebido que talvez com isso não conseguíssemos ir até a ultima perna do “W” sem perder o dia em El Calafate.

Cuernos del Paine refletindo no lago pela manhã

Além disso não tínhamos como saber se o tempo iria nos ajudar, então havíamos decidido entre 2 opções, que dependeria da nossa condição física no momento: ou caminharíamos até o camping Italiano, uma caminhada de 16 km, ou ainda até o refúgio Paine Grande, no total de 25 Km. Se fossemos direto ao Paine, não conseguiríamos fazer a perna interna do “W”, mas teríamos tempo suficiente para ir até o glacial Grey. Mas dependeria de nossa condição física, porque pensar em 25 Km, entre montanhas, carregando 20 Kg nas costas não era muito animador.

Sai da barraca e logo vi uma pequena geada em torno do local onde acampamos. Dentro da barraca começou a cair água, do gelo que estava derretendo quando esbarrávamos nela. Resolvi tirar o sobreteto enquanto preparávamos o café, para parar de “chover”. Tomamos café, levantamos acampamento, e iniciamos nossa caminhada às 8 hs da manhã. O caminho começava pelo mesmo trecho que havíamos feito na véspera, mas após alguns minutos saímos por uma bifurcação à esquerda, em direção ao Nordenskjöld. Avistamos vários coelhos selvagens no inicio do caminho, correndo entre a vegetação rasteira. Cerca de 1 hora após sairmos do acampamento, começamos a contornar definitivamente o lado direito do Nordenskjöld. A trilha alternava superfícies planas com subidas e descidas, o que ia tornando ainda mais pesadas nossas mochilas.

chegando ao abrigo Los Cuernos

Passamos sobre alguns riachos e sobre rios, e cruzamos com algumas pessoas que vinham fazendo o caminho no sentido oposto. Quase chegando ao abrigo Los Cuernos, começamos a ver os Cuernos do Paine a nossa direita, impressionantes. Chegamos ao refugio após 3 horas de caminhada e paramos para almoçar. Foi um alivio tirar um pouco as mochilas das costas, e também pudemos tirar os sapatos e dar uma olhada nos pés. Meu pé estava cheio de bolhas e tive que improvisar um curativo com band-aids. Ficamos poucos minutos e reiniciamos a trilha. Faltava ainda 5,5 Km até o camping Italiano, nossa provável parada.

Logo após a saída do refugio, chegamos a uma praia cheia de pedras formada no lago. Parte do percurso agora foi pela praia, até que entramos novamente em direção as montanhas, já que a trilha seguia em direção ao Vale Del Francês. Neste vale havia um glacial que levava o mesmo nome, e tínhamos intenção de chegar até ele. Começamos a entrar no vale e os Cuernos foram ficando cada vez mais imponentes a nossa direita, tendo o Cuerno principal 2600 mts de altura.

Glacial e Vale del Frances , acima do acampamento Italiano

Após 1:40 horas chegamos ao acampamento Italiano, que era apenas uma área com um pequeno banheiro, sem estrutura de refúgio. Montamos a nossa barraca, e comemos mais alguma coisa. Enquanto isso, começamos a discutir se iríamos pernoitar, ou se tentaríamos completar o percurso até Paine Grande, ainda faltando 8 Km. Mas pelo nosso mapa, era o único percurso considerado fácil, então pensamos que poderíamos conseguir. Deixamos as mochilas e fomos caminhando até o Glaciar Francês. Minhas pernas e pés estavam doendo muito, depois de ficar um tempo parado dentro da barraca. Caminhei com dificuldade até o glacial, tiramos algumas fotos e decidimos desarmar o acampamento e ir até o refugio Paine. O caminho realmente era o mais fácil até então, mas após tanto tempo caminhando com as mochilas nas costas, qualquer passo era difícil.

Maciço Paine – saindo do acampamento italiano próximo ao glacial francês

O que nos animava era a visão cada vez mais incrível que ia se formando a nossas costas, conforme nos afastávamos dos Cuernos. A visão do lago e as montanhas era incrível e por vezes paramos para tirar fotos do que estávamos deixando para trás.

 

Maciço del Paine – chegando ao acampamento Pehoé

Na metade do caminho, passamos ao lado do lago Skottsberg, após uma pequena subida. Mais adiante a esquerda, víamos um braço do Nordenskjöld e ainda mais adiante um braço do lago Pehoé, inclusive o teto do Hotel Explora. Continuamos nossa jornada e após mais uma hora de extenuante caminhada, avistamos o Pehoé mais próximo, e ao longe num vale o refúgio Paine Grande.

parece pintura, mas é a visão do maciço Paine no final da tarde chegando ao acampamento Pehoé

Aceleramos o passo, em direção ao lago Pehoé, passamos por uma casa de guarda-parques e chegamos à área de camping do refúgio, que já se encontrava parcialmente cheia de barracas coloridas. Montamos a nossa, próximo a cozinha, e fomos tomar banho. Mal conseguia caminhar, com tantas bolhas nos pés e dores nas pernas. Compramos uma garrafa de vinho no refúgio, para comemorar a nossa proeza e merecidamente bebemos olhando a impressionante vista de nosso quarto – os Cuernos e as Torres juntas… Fizemos uma pequena janta e desabamos nos sacos de dormir.

vista da barraca no acampamento Pehoe

No próximo dia seguiremos a perna final do Circuito W, em direção ao Glacial Grey.