vista geral Glacial Grey, na metade do caminho

Após o café, separamos um lanche, e colocamos a mochila nas costas para o último dia de caminhada. Seriam 22 Km ida e volta, com uma duração calculada de 7 horas. Dia cheio de atividades novamente, mais iríamos com pouco peso e avistaríamos nosso primeiro grande glacial. O glaciar Grey é um dos braços do grande campo de gelo patagônico sul e pelas fotos parecia impressionante. Iniciamos nossa caminhada pelo vale que serpenteava atrás do acampamento, e após alguns minutos começamos a subir. Passamos dentro de um pequeno bosque e chegamos a Laguna dos Patos. Ainda não conseguíamos ver o glacial, mas alguns minutos depois, a nossa esquerda foi surgindo o lago Grey, e pudemos ver os primeiros icebergs, que se soltavam da massa de gelo quilômetros adiante. Era uma visão incrível, pequenos blocos azulados flutuavam, parecendo à distância serem feitos de isopor.

vista geral Glacial Grey, na metade do caminho

Cerca de 1 hora e meia de caminhada após o refugio, estávamos nos aproximando do que em nosso mapa era indicado como um mirante do glacial. Várias vezes achamos que estávamos chegando, mas pequenas elevações apenas nos mostravam outras ainda mais adiante. Até que em um momento, a massa impressionante de gelo surgiu no horizonte. Era um grande campo de gelo que desabava na superfície do lago e mesmo a distância era imponente. Tiramos algumas fotos e continuamos a trilha, já que pelo mapa faltava ainda cerca de 2 horas até o refúgio Grey. A partir do mirante, a trilha se transformou em uma descida intensa, durando vários minutos, e por vezes bem exposta. Ficamos preocupados com a volta, pois teríamos que subir aquela montanha já cansados. Mas o desejo de nos aproximar daquele gelo era maior e continuamos. Durante o caminho, íamos olhando de frente para a massa de gelo e enquanto descíamos o lago ficava cada vez mais próximo, e com mais icebergs. Entramos em um bosque mais denso, a trilha cruzando rios e vales, com montanhas nevadas imponentes a nossa direita, do Cerro Paine Grande, cujo cume principal chegava a 3050 metros de altura. Enquanto estávamos caminhando neste bosque ouvi um barulho, como se fosse um martelo. Procurei em volta e vi um pica-pau de cabeça vermelha, igual ao do desenho…

Distancias Refugio Grey

Mais alguns metros à frente encontramos uma placa de distâncias, indicando que estávamos a apenas 5 minutos do refugio Grey. Mas ao invés de dobrarmos a esquerda para o abrigo, continuamos em frente, pelo caminho do circuito grande, para chegarmos a borda do glacial. A nossa frente surgiu um paredão de rocha, que contornamos pela direita. Um pequeno braço do lago surgiu à frente, com enormes blocos azuis de gelo. Um pouco mais adiante, bem próximo de nós, surgia a face norte do glacial. Por vezes, alguns blocos de gelo se desprenderam, causando um estrondo e uma onda de impacto no lago. Voltamos um pouco e subimos o paredão, onde conseguimos uma vista melhor de todo o gelo e da ilha que separava as duas faces do glacial. Ali, em frente a enorme massa de gelo almoçamos.

Glacial Grey

Depois de cerca de meia hora, voltamos a trilha em direção ao refugio. Era uma cabana de madeira que ficava quase às margens do lago. Fomos ao lago, colocamos a mão na água fria e peguei um pequeno bloco de gelo. Era hora de voltarmos.

icebergs

Na volta, continuamos a encontrar vários grupos de pessoas, dessa vez na maioria americanos, que provavelmente iriam pernoitar no Grey. Encontramos também um casal da Nova Zelândia bastante simpático com seus dois filhos, caminhando alegremente descendo a montanha.
Passamos bem pela grande subida, e mais uma vez nos surpreendemos com nosso preparo. Chegamos ao acampamento no finalzinho da tarde. Missão cumprida!
Tomei um banho e fui beber um vinho chileno em frente ao lago Pehoé, até quase escurecer. Jantamos em nossa pequena casinha de pano e fomos dormir. A noite foi bem fria, e foi bem difícil esquentar os pés…