“A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.” – Fernando Pessoa

 

A liberdade é movimento. Viagem é uma fuga do cotidiano. Coisas na minha vida diária tornaram tão comuns para mim que elas desaparecem. Tornamo-nos autômatos, dirigimos nossos carros ao trabalho e para casa quase que sem perceber. Todo o familiar torna-se escondido para mim. Torno-me insensível ao mundo ao meu redor, assim como os prisioneiros se tornar entorpecido pelas paredes de suas celas. Minhas rotinas são as paredes da minha cela. Para aliviar este torpor, posso comprar roupas novas, livros, buscar novos cafés, assumir novos hobbies, mas estes também são rapidamente absorvidos pelo cotidiano.

Então, como sair do cotidiano?

Há algo de sagrado sobre viagens (não, nada a ver com o místico ou o valor religioso do termo). Chegando a uma cultura desconhecida acho maravilha em tudo, desde os pequenos detalhes até as grandes paisagens.

Este sentimento continua por um curto período, quando volto para minha casa. Lugares e pessoas que eu conhecia antes de eu sair são ao mesmo tempo familiares e estranhos. Ela produz uma distância entre mim e minha vida. E esta é a verdadeira liberdade de viajar. Permite-me interrogar a minha situação e minha vida.

 

Viagem para mim é isso e mais um pouco. É o que permitiu que nós humanos saíssemos das savanas africanas e povoássemos o globo. A cada momento de nossa história, a curiosidade e a inventividade humana nos fez nômades, nos fez buscar o novo, o distante, o desconhecido. Encontramos novos continentes, novas culturas, e nos tornamos parte de uma raça global, quase sem fronteiras. Infelizmente ainda hoje, as fronteiras que existem são basicamente as do preconceito, da ignorância e do fundamentalismo religioso.

 

Viajo para conhecer o outro, mas, sobretudo para ganhar uma nova perspectiva de mim mesmo. Viajo para ver novas cores e cheiros, novos sabores, novos olhares. Viajo fora de mim e dentro de mim. Quando viajo me transformo em algo novo, como se a cada lugar, parte dele se incorporasse a minha nova forma de ser e pensar.

 

Viagem transforma. Quebra preconceitos e nos torna humildes. A maior transformação da viagem é a que acontece dentro de nós mesmos.

 

Como Marcel Proust escreveu: “a única viagem real de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos”.

E você, por que viaja ?