Tomamos café bem cedo no hotel e logo estávamos em um ônibus parando de hotel em hotel pegando mais passageiros para a nossa excursão do dia. Lentamente, fomos deixando a cidade em direção às montanhas, serpenteando pelo lado esquerdo do lago argentino. 

   O dia estava nublado, e por vezes caía uma fina chuva. O parque Nacional Los Glaciares fica a cerca de 80 Km da cidade, e após uma meia hora, chegamos a uma bifurcação do caminho, em frente aos Cerros Mitre e Buenos Aires. Entramos a esquerda, na Península de Magallanes, seguindo agora um pequeno braço do lago Argentino, o Brazo Rico. Chegamos a entrada do parque nacional, pagamos os tíquetes de entrada, e continuamos nosso caminho até nosso destino do dia: o Glacial Perito Moreno.

      Após cerca de 30 minutos dentro do parque, nosso ônibus seguia contornando uma pequena estrada entre o lago e as montanhas, quando a nossa frente foi surgindo o glacial. Paramos em um mirante, e mesmo à distância a visão impressionava, mas conseguíamos ver apenas a sua face sul. Voltamos ao ônibus, e dessa vez paramos no mirante do Perito Moreno. Ficaríamos ali durante o almoço. No mirante existia uma passarela que nos levava para mais próximo das paredes de gelo. Descendo as escadas de madeira fomos nos aproximando daquela enorme parede de gelo azulado, outro braço do grande campo de gelo patagônico sul, o mesmo do Grey em Torres Del Paine.

Perito Moreno - repare no tamanho das pessoas...

As dimensões daquela massa de gelo são impressionantes e não nos cansamos de tirar fotos. Almoçamos, sentados em um pequeno banquinho de madeira, contemplando o gelo. De vez em quando, enormes blocos de gelo se desprendiam do glacial, formando um estrondo semelhante a um trovão, e uma enorme onda era formada no lago, no canal de los témpanos (icebergs). Todos gritavam de alegria ao ver aqueles blocos azuis desabando cerca de 60 metros em direção a água.

       Voltamos para o ônibus e fomos em direção à próxima etapa do passeio. Descemos em um pequeno porto, onde os barcos nos esperavam para o passeio no Brazo Rico. Fomos em direção a enorme parede de gelo. A visão se tornava ainda mais impressionante, e passamos bem próximos a enorme massa. Blocos caiam da parte superior e formavam ondas que balançavam o barco. Desembarcamos do outro lado do canal, para iniciar o trekking sobre o glacial. Após alguns minutos de espera, caminhamos por um pequeno bosque cerca de 500 metros e numa pequena praia, nossos guias nos instruíram sobre as origens dos glaciais, e sobre a região. Saímos em direção a parede de gelo e nos sentamos para colocar os grampos. Era a primeira vez que usávamos, e ainda era um modelo bem antigo e pesado. Nosso grupo foi dividido em 2 pequenos, de cerca de 15 pessoas. Começamos lentamente a nos aproximar, e dei o primeiro passo sobre o glacial. Não era muito difícil e fomos caminhando em direção a parte superior, sempre ao lado esquerdo próximo a borda, onde o movimento do gelo é muito menor do que no centro.

Caminhando sobre o Glacial

    Subimos um pouco e ganhamos uma vista incrível das paredes, ora branca e ora azulada. Pequenos rios desciam dentro do gelo, formando línguas azuis. Algumas gretas foram aparecendo e nos afastamos delas. Algumas paradas para fotos e voltamos por outro lado, e em uma enorme fenda, peguei emprestado o piolet de um dos guias e me pendurei um pouco em uma parede de gelo. Alguns minutos depois, nossos guias nos preparavam uma surpresa: brindamos o final da viagem com whisky com pedras de gelo do glacial e bombons. Um final fantástico!

     No segundo dia novamente saímos cedo do hotel, e dessa vez uma pequena van nos pegou. Fomos em direção ao Parque Nacional, e dessa vez ao invés de entrar a esquerda na Península de Magallanes, dobramos a direita em direção a Puerto Bandera. Três grandes catamarãs aguardavam os passageiros e todos os barcos saíram lotados.

    Saímos próximo as 9 horas, navegando pelo lago Argentino. Passamos pela Boca Del Diablo e entramos no Brazo Norte, onde pequenos icebergs azuis foram surgindo. Logo à frente se tornaram bem maiores e em grande número. A cada momento, passávamos por um bloco de gelo diferente, esculpido pelo calor do sol e força dos ventos. Todos estes témplanos eram provenientes do grande Glaciar Upsala, que iríamos visitar no final da tarde.

Chegamos a uma bifurcação e entramos a esquerda, em direção ao Brazo Spegazzini. Navegando pelo canal, íamos cruzando agora pequenos blocos de gelo, que pareciam querer congelar toda a superfície da água. Passamos em frente ao Glaciar Seco, que tinha este nome porque sua língua de gelo não chegava até a água, ficando no alto do Cerro Heim. Mais a frente, começamos a ver a grande parede do Glaciar Spegazzini.

 Com 80 a 130 mts de altura, é o maior glacial da região. Navegamos bem perto da sua parede e tiramos algumas fotos daquela paisagem surreal. Parecia que estávamos na Antártida, tal a quantidade de gelo na água e no glacial.

   Após alguns minutos, voltamos a navegar pelo canal, em direção a parada na Baia Onelli, onde iríamos almoçar. Por volta de 1 da tarde, desembarcamos e caminhamos em direção ao lago Onelli, onde veríamos os Glaciais Agassiz, Bolado e Onelli.

    Chegamos na baia e sentamos para almoçar, admirando as enormes massas de gelo e uma infinidade de pequenos icebergs azuis que ficavam aprisionados na baia. Parecia a terra dos icebergs!

    Depois de cerca de 1h e meia, voltamos para o barco e fomos em direção ao maior glacial, o Upsala. Este glacial sofreu um enorme desgaste nos últimos anos, e ao contrário do Perito Moreno que se mantém igual, vem lentamente regredindo em área. Entramos no Brazo Upsala e cada vez mais foram surgindo icebergs de diferentes tamanhos, alguns maiores que uma casa. O capitão nos levava entre os enormes blocos de gelo, lentamente, até onde pudemos chegar mais próximos do Glacial. Sua língua de gelo se estendia por quilômetros entre montanhas nevadas.

Glaciar Upsala

A visão do enorme glacial e o lago com infinitos icebergs era impressionante. Ali, mais do que em outro lugar, estávamos no local que mais parecia o continente antártico.

Dicas

El Calafate é uma pequena cidade localizada na província de Santa Cruz, Argentina próxima a fronteira com o Chile com aproximadamente 5.500 habitantes.É a cidade mais próxima ao Parque Nacional dos Glaciares.

A temperatura máxima no verão oscila em torno de 20 graus, e no inverno a mínima pode chegar a 3 graus negativos.

Mapa cidade

A cidade conta com um aeroporto a cerca de 20 km de distância, com vôos diretos de Buenos Aires. Outra opção dependendo dos preços é ir até Punta Arenas no Chile, e pegar um ônibus, via Puerto Natales. Esta opção permite conhecer o Parque Nacional Torres del Paine – https://turistasemfronteiras.wordpress.com/2011/06/10/trekking-na-patagonia-torres-del-paine-parte-1/

A melhor época do ano para ir é na primavera ou no outono, onde as temperaturas estão amenas. No verão pode-se encontrar os destinos, e hotéis cheios.

Mais informações em : www.calafate.com