Saímos de Erfoud para nosso destino do quarto dia de viagem, em direção ao Atlas novamente. Passamos por alguns vilarejos, cruzamos a cidade de Thingir e por volta do meio dia, entramos em um belo vale chamado de Gorge du Dadès.

Vale dos Mil Kasbahs

Incontáveis vilarejos surgiam por todos os lados, em um local conhecido como o vale dos mil Kasbahs. Kasbah é o nome dado a construção berber, geralmente com um grande muro que separa uma ou várias casas do exterior, quase como uma fortificação antiga. Pode ser bem pequeno ou enormes, como o de Ait-Benhaddou que visitamos no fim do dia São feitos com uma mistura de pedras, argila e palha, o que no ambiente árido do deserto os fazem ficar integrados ao lugar. Por toda a região que passávamos, ruinas de antigos kasbahs, e outros novos se integravam ao caminho.

Dromedários e o Vale dos Mil Kasbahs

mais uma visão do vale

O vale foi ficando cada vez mais estreito, até chegarmos a um local conhecido como Todra Gorges, um grande cânion formado pelo rio Dadès. Paramos o carro e fomos caminhar pela parte final. A visão era impressionante, com paredes verticais de 160 metros de cada lado, em uma largura por vezes menor que 15 metros. Algumas cabras pastavam pelo riacho e algumas crianças tentavam nos vender quinquilharias. Voltamos ao carro após uma breve parada, em direção a cidade de Ouarzazate, onde iríamos fazer mais um pernoite da viagem à Marrakesh.

Todra Gorges

uma moradora e seus animais no vale do Gorges

A bela cidade surge próxima a cadeia de montanhas do Atlas ao sul de Marrocos. Conta hoje com mais de 60 mil habitantes, e além do aeroporto e forte turismo local relacionado a sua estratégica posição como porta de entrada para o Gorges e o Saara, possui uma ligação com o cinema internacional e é sede dos Estúdios Atlas. Na região vários filmes famosos foram filmados, como Cruzada, Gladiador, Alexandre, Babel, o Príncipe da Pérsia, Kundun, Lawrence da Arábia e a trilogia A Múmia.

a bela Ouarzazate e a cordilheira do Atlas

Visitamos o antigo palácio do Paxá El Glaoui, o casbá de Taourirt, construído em meados do século XVIII. Suas paredes em tom de ocre, contrastavam com as inúmeras palmeiras da cidade, e as montanhas nevadas ao fundo.

um dos aposentos no interior do Casbá de Taourirt

No próximo dia pela manhã, sairemos em direção a Marrakesh, parando antes de cruzar a cordilheira do Atlas no patrimônio da UNESCO em Ait-Benhaddou, e visitaremos o grandioso e belo Kasbah.