Marrakesh é hoje a segunda cidade do Marrocos em população. Com cerca de 1 milhão de habitantes, espalhados pela parte antiga da Medina e pela região moderna ao longo da região metropolitana. Conhecida como a “cidade vermelha”, pela cor de suas casas de argila tom de terracota, ou como a “pérola ou porta do sul”, localiza-se ao sopé da Cordilheira do Atlas, e esta domina a paisagem leste da cidade.

Marrakesh – pintura de Winston Churchill

Possui o maior zoco (ou suq), que é o tradicional mercado árabe do país, com vendedores de diversas mercadorias, desde artigos têxteis, ferragens, alimentos a jóias. Seu ponto turístico mais tradicional, a praça Jemaa El-Fnaa, uma das praças mais movimentadas de toda a África.

Souq ou mercados de Marrakesh

Saímos pela manhã bem cedo de nosso Riad, após a exótica experiência na Jemaa El-Fna na noite anterior. Caminhamos pelas estreitas vielas da Medina, até encontrarmos ao lado de fora novamente nosso motorista, e o novo guia que nos levaria a conhecer alguns pontos da cidade.

Nosso primeiro passeio seria em direção ao Bahia Palace, construído no século XIX, para captar os estilos marroquinos e árabes de sua época. São cerca de 8.000 mts2 de jardins, salas e construções, onde Si Moussa, Vizir do Sultão vivia.

um dos jardins internos do Bahia Palace

Traz vários detalhes da arquitetura características árabes, porcelanas com as cores do Islã e de Marrakesh, além de fontes e belos jardins com dezenas de laranjeiras, trazidas pelos franceses no início do século XX.

Interior do Bahia palace

Nosso guia nos levou pelas ruelas até o próximo ponto no passeio, para conhecermos as Saadiam Tombs, tumbas que são datadas da época do Sultão Ahmad al-Mansur (1578-1603), e apenas recentemente descobertas (1917). Representam hoje, pela beleza de suas esculturas e decorações um dos principais pontos de interesse turísticos na cidade.

Saadiam Tombs – morocco-holidays-guide.co.uk

Saímos das tumbas e começamos a caminhar em direção a parte mais antiga da cidade. Passamos por um belíssimo e antigo portão de entrada da antiga Medina, e caminhamos em direção aos Souqs, mercados em dezenas de estreitas ruas e vielas, por onde se vende diversos artigos árabes, entre tapeçarias, roupas, jóias e alimentos. A cada loja, apreciamos as belezas dos artigos orientais, as cores e os perfumes. A única dificuldade é que se você mostrar o mínimo interesse por algum produto, dificilmente você conseguirá sair da proximidade da loja sem comprá-lo, tal é a insistência dos comerciantes em vender a qualquer preço.

portão da antiga Medina

Saindo das ruelas do Souq de Marrakesh, passamos ao redor da antiga e mais bela Mesquita, a Koutoubia. Próxima a Jemaa El-Fna, e com a beleza dos picos brancos do Atlas ao fundo, sua torre e seus portões de argila embelezam a cidade. Ao seu redor, vimos dezenas de laranjeiras e palmeiras, que ajudam a diminuir o calor do verão.

Mesquita de Koutoubia

Ainda dignos de uma visita em Marrakesh estão os Jardins Menara e Majorelle. Ambos próximos a região central da cidade, podem ser acessados com uma caminhada mais longa ou através de táxis, ou serviço de guias. A beleza dos jardins impressiona, sobretudo com suas particularidades. O imenso lago do Jardim Menara, de frente ao pavilhão de telhados verdes construído no século XVI impressionam por sua beleza. O pavilhão e o lago artificial estão rodeados por pomares e oliveiras e suas águas provem das montanhas a cerca de 30 km de distância.

Jardins Menara – fonte viagenstravel.com

Já o Jardim Majorelle foi desenhado pelo pintor francês Jacques Majorelle. É uma grande reserva natural de cactos, bambús, bouganviles e muitas outras plantas que envolvem uma construção de cor azul cobalto. Hoje em dia, em seu interior se situa o Museu de Arte Islâmica.

Jardins Majorelle

Jardins Majorelle – fonte uol viagens

Terminamos o dia mais uma vez na praça Jemaa El-Fna, o coração da cidade. Aproveitamos pela última vez suas cores, cheiros e sons, a mais pitoresca e insólita área de ar livre que já pude estar. Sairíamos no próximo dia pela manhã em direção a Europa, com a certeza de que Marrocos é um país que nos deixa marcados pela beleza de seus contrastes naturais, e pela cordialidade de seu povo. Algumas pessoas se dizem enfeitiçadas pelo país. Talvez tenha mesmo algo de encantador naquelas terras, com praias, gelo e deserto, e com uma riquíssima história e beleza culturais. Até algum dia…