Chegamos na estação ferroviária de São Petersburgo (Санкт-Петербу́рг) logo cedo pela manhã, e nosso motorista nos pegou logo em seguida para nos levar ao hotel. Havia neve por todo o lado, muito mais do que em Moscou, já que estávamos ainda mais ao norte.

Nevasca noturna em São Petersburgo: cena comum todas as noites de inverno

A cidade que já foi também chamada de Petrogrado e Leningrado, fica as margens do rio Neva, e foi fundada por Pedro o Grande em 1703, tornando-se capital do Império Russo por mais de 200 anos, até a revolução de 1917.  É atualmente a segunda maior cidade da Rússia e a quarta da Europa, apenas atrás de Moscou, Londres e Paris. É também um importante porto comercial russo no mar Báltico.

A Fortaleza de São Pedro e São Paulo, situada em uma pequena ilha a 5 km do golfo da Finlândia, foi construída em maio de 1703 para defender a cidade por Pedro o Grande e se tornou a base para a futura cidade. A cidade também teve papel na Revolução de 1917, quando foi derrubada a família do Czar Nicolau II do trono, e ainda hoje as margens do rio Neva fica ancorado o Cruzeiro Aurora, que deu o primeiro tiro de canhão contra o Palácio de Inverno. Ainda na II Guerra Mundial exerceu importante papel na resistência soviética ao exército de Hitler, que consumido pelo frio e doença foi derrotado, iniciando a derrocada final do Eixo.

Aurora ancorado no rio Neva congelado. Ao fundo, Fortaleza de São Pedro e São Paulo

São Petersburgo é uma cidade para ser conhecida a pé ou utilizando o sistema de metrô, não tão belo quanto o de Moscou, mas também muito eficaz. Todo passeio começa pela rua Nevsky Prospekt, o principal eixo da cidade, que tem os cafés, lojas de artesanatos e roupas.

Catedral de São Isaac

Por ela podemos conhecer a Catedral de São Isaac, com seu enorme domo. Em direção ao rio Neva, passamos pela inigualável Igreja de Nosso Salvador do Sangue Derramado, cuja beleza externa apenas rivaliza com as dezenas de figuras no seu interior.

Catedral do Sangue Derramado

Construída entre 1883 e 1907, com características bizantino-ortodoxas, conta com uma riqueza de mais de 7.000 metros quadrados de mosaicos em seu interior. Ao seu lado, um dos diversos canais da cidade, que a torna conhecida como a Veneza do norte, mas que nesta época se encontravam completamente congelados.

alguns dos belos mosaicos em seu interior

A frente chegamos ao Palácio de Inverno que hoje abriga o Museu Hermitage, um dos maiores do mundo. O Palácio de Inverno foi a residencia oficial dos Czares até a revolução russa. Com uma enorme praça central a sua frente, contando com sete prédios principais, entre eles o do Estado Maior, com um grande Arco do Triunfo.

Arco do Triunfo no prédio do Estado Maior

Hoje o Hermitage conta com mais de 3 milhões de peças em seu acervo, de diversos estilos e épocas, das culturas russa, européia , oriental e do norte da África. Para visitá-lo chegue cedo, pois as filas ficam grandes já na sua abertura, a partir das 10:30h.

Palácio de Inverno – Museu Hermitage

Chegando ao rio Neva, podemos ver o quanto o inverno russo é imponente por ali. Com uma largura média de 400/600 metros, estava completamente congelado, e vimos um barco quebra gelo abrindo passagem para outros menores. Também vi alguns pescadores, que fazem furos no gelo em busca de alguma pescaria.

Rio Neva completamente congelado. A direita muralha da Fortaleza São Paulo; à esquerda prédios do Hermitage

Caminhamos em direção a Fortaleza de São Pedro e São Paulo, cruzando o rio, que além de belas construções antigas e catedrais, nos permitia uma visão do rio neva e de toda a fachada do Palácio de Inverno do outro lado. Vários turistas caminhavam por ali, além de famílias russas que aproveitavam o sol para caminhar e se aquecer.

Entrada da Fortaleza São Pedro e São Paulo

No interior da Fortaleza

Outra igreja que merece uma visita é a bela Catedral de São Nicolau. Suas paredes azuladas contrastavam com seus domos dourados, ainda mais bela com o cenário de inverno a sua volta.

Catedral de São Nicolau

A noite um programa imperdível é apreciar um concerto sinfônico ou um balé no antigo e belíssimo Teatro Mariinsky. Conta com uma programação variada ao longo de todo o ano, e seus ingressos podem ser comprados pela internet antes da viagem. (http://www.mariinsky.ru/en/). O balé russo nasceu em São Petersburgo, por cujas ruas ainda vagam os fantasmas de Tchaikóvski, Dostoiévski e Púshkin. Quando estive lá fui ao Teatro por duas vezes: assistimos um concerto com solo de violino e a peça “o Quebra-Nozes”.

Fora da cidade, fomos visitar o Palácio Peterhof. É um conjunto de palácios e jardins, construído também por Pedro o Grande, e por vezes chamado de “Versailles Russo”. Fica situado a cerca de trinta quilômetros de São Petersburgo , com vista para o Golfo da Finlândia, braço do Mar Báltico. Assim como todo o Centro Histórico de São Petersburgo, o palácio do Peterhof faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Peterhof no inverno

O belíssimo jardim no seu exterior estava completamente branco pela neve, mas vi diversas imagens do local no verão, com belas cascatas e flores. Seus jardins ao total contam com mais de 120 fontes, e a Grande Cascata se prolonga por um canal até o Báltico. Seu interior é incrível, totalmente decorado com objetos e móveis dos antigos czares russos. Para se ter uma idéia do que estou tentando descrever, visite o site oficial – peterhofmuseum.ru/.

Como chegar: São Petersburgo pode ser visitada chegando-se por terra, ar ou mar. Usualmente o melhor é chegar de trem, tanto pelo noturno vindo de Moscou que leva cerca de 7 horas, ou o expresso levando cerca de 3 horas e meia. Outra opção é usar o avião entre as suas cidades, mas com o tempo que se leva entre aeroportos recomendo o trem. Ainda é possível chegar pelo mar Báltico, saindo da Finlândia ou da Ucrânia. Existem serviços regulares de transportes públicos entre estes países, evitando-se o inverno pelo congelamento do mar Báltico.

Cenas do inverno russo em São Petersburgo

A melhor forma de passeio pela cidade é o metrô ou caminhar a pé. Com um guia da cidade na mão tudo fica bem fácil e próximo. Para passeios na região, como Peterhof, o ideal é contratar um translado com um guia local.

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