“All things dread time,but time dreads the pyramids”

“Todas as coisas temem o tempo, mas o tempo teme as pirâmides” – antigo provérbio egípcio

Camelos no Planalto de Gizé

Existem talvez duas coisas que ao se falar no Egito vem a mente imediatamente: as pirâmides e o rio Nilo. A história do Egito se confunde com o vale do Nilo, desde o sul do país na fronteira com o Sudão, até a sua foz, no Delta próximo a Alexandria, no mar Mediterrâneo. É justamente por causa da existência deste grande rio que foi possível o desenvolvimento de uma sociedade tão próspera, rica e desenvolvida, que acabou por se tornar na primeira potência mundial, a quase 5.000 anos atrás.

rio Nilo

As terras férteis ao largo do Nilo concentraram a população no seu entorno. Nelas, que representam apenas cerca de 2% do total territorial do Egito, o cultivo de trigo e outros grãos foi capaz de garantir o sustento e alimentação de uma população crescente, e no futuro, garantir o pagamento de centenas de milhares de trabalhadores, que iriam construir algumas das obras de arquitetura mais fascinantes da história humana.

Deus Sol – Rá

O Nilo também serve de divisor para o ciclo de vida dos egípcios. A seu leste, onde nasce o Deus Sol Rá, foram erguidas todas as principais cidades do antigo Egito – Memphis (próxima a atual Cairo) e Luxor. Do lado oposto a oeste, representando a morte e o ocaso da vida, os egípcios enterravam seus mortos, evoluindo desde pequenas grutas mortuárias, às pirâmides de Giza e o Vale dos Reis em Luxor.

Mumificação

O fascínio pela morte, representado pelo processo de mumificação e pela construção de enormes templos mortuários era causado porque os egípcios acreditavam que após a morte, sua vida seguia um curso semelhante ao que existia em vida, e que eles precisariam de vários artefatos e alimentos que também utilizavam em vida. A importância da vida após a morte era tão grande, que a morada da alma, o corpo terrestre, deveria ser mumificado.

Deus Anúbis e a mumificação

Logo após o falecimento, a pessoa de qualquer posição social era conduzida pelo deus Anúbis para se apresentar ao Tribunal de Osíris, local em que sofria uma avaliação de seus erros. Antes do início do julgamento, era entregue ao falecido o “Livro dos Mortos”, onde obtinha as devidas orientações de seu comportamento durante a sessão a ser realizada. No fim do julgamento, Osíris pesava o coração do falecido em uma balança, e para que este obtivesse provação, seu coração deveria ser tão leve quanto uma pena. Do contrário, ele iria para o submundo dos mortos e sua cabeça, devorada pelo Deus Sebek, com cabeça de crocodilo.

Julgamento no tribunal de Osíris: Deus Anúbis ajoelhado pesando o coração. Atrás dele o Deus Toth (cabeça de Ibis) escrevendo o nome do Faraó. Ao seu lado o Deus Sebek aguardando a decisão.

Para alcançar os céus e a vida eterna, cada Faraó passou a elaborar seu templo mortuário, a fim de ser visto a distância e de alcançar o divino. As construções primevas eram a mastaba, uma forma de túmulo com cobertura retangular. Foi Djoser, Faraó da IV Dinastia que pela primeira vez mandou construir uma mastaba de pedra, a Pirâmide Escalonada ou de degraus.

Pirâmide Escalonada de Djoser, em Dashur – Saqqara

Datada de cerca de 2630 A.C, ou seja com mais de 4600 anos de idade, é a primeira construção desde tipo, sendo erguida em Saqqara, a 30 quilômetros da moderna capital do Cairo. O próximo Faraó do Egito, Snefru procurou evoluir no conceito da construção das mastabas em degraus, passando para a ideia de uma superfície lisa, em formato piramidal aos céus. A Pirâmide Curva, também em Dashur ao sul de Saqqara, foi uma tentativa que se acredita ter sido um erro de cálculo estrutural.

Pirâmide Curva em Dashur – Saqqara. Reparem na redução na angulação

Na medida que perceberam que a inclinação estava equivocada, os arquitetos reduziram o ângulo e a pirâmide ficou com um formato diferente do pretendido, mas que garantiria a sua integridade. Não satisfeito, Snefru mandou que se iniciasse rapidamente a construção de uma nova pirâmide, a Vermelha, que ganhou este nome pela cor do granito de sua construção. Hoje a região de Dashur é pouco visitada se comparada com o planalto de Giza, mas vale muito a pena conhecer e ver de perto as formas alternativas de construção em busca do ideal.

A Pirâmide Vermelha – a 3a maior do Egito

Coube ao filho de Snefru, Quéops (2551 a 2528 A.C), a ideia de construir as maiores pirâmides que existem ainda hoje. No planalto de Giza (Gizé ou Guiza) ao largo do Cairo, existem hoje o complexo maravilhoso de Pirâmides, com a maior delas, a Grande Pirâmide, medindo hoje 137 metros de altura. Ao seu lado estão as Pirâmides de Quéfren e a menor delas a de Miquerinos, todos Faraós posteriores. Próximas a elas existe um grande complexo funerário com pirâmides menores das rainhas e também a famosa Esfinge de Gizé.

Complexo de Pirâmides no planalto de Gizé

No próximo post iniciaremos a viagem pelo Egito, chegando ao Cairo e a viagem por meio terrestre até a cidade de Alexandria ao norte, fundada por Alexandre, o Grande.