Do topo de Agulhas Negras era possível ver em 360 graus grande parte do vale do rio Paraíba do Sul, entre Rio de Janeiro e São Paulo. Olhando para o outro lado, montanhas e mais montanhas avançando por Minas Gerais.

Estava a 2800 metros de altitude, no ponto mais alto do Rio de Janeiro, o quinto maior do país. É tão alto, que todo o inverno acontecem geadas por lá, algumas bem fortes. E em algumas ocasiões, há também registro de neve no estado do Rio de Janeiro, a última vez em 1985.

Neve em agulhas negras - 1985

Fazia pouco tempo que havia passado pela garganta do Registro, na estrada que liga o sul fluminense ao sul de minas. Uma placa marcando distâncias e uma estrada de terra e pedras de acesso a parte alta do Parque Nacional de Itatiaia chamou minha atenção. Poucos meses depois estava acampando a cerca de 2400 metros de altura, perto da entrada do parque.

O Parque Nacional de Itatiaia fica no sul do estado do Rio de Janeiro. Criado em 1937, é o mais antigo do país. Itatiaia em tupi-guarani significa “pedra cheia de pontas” e é esta a característica mais marcante das montanhas no alto do planalto, particularmente Agulhas Negras.Saindo da área de acampamento, caminhamos cerca de 20 minutos até a entrada do parque. Registra-se a entrada e o destino, e logo seguimos pela estrada esburacada até o abrigo Rebouças, uma distância de cerca de 3 km.

Caminhada de aproximacao - topo de Agulhas Negras ao fundo

O ideal é programar o mínimo de material para a subida. Além de água (que pode ser reposta ao longo do caminho em córregos) e comida (ideal frutas secas, doces, para repor a energia), deve sempre se levar protetor solar, óculos de sol, chapéu ou boné e um abrigo para chuva/frio. O tempo muda muito rápido na região. O ideal sempre é sair bem cedo, e avaliar o clima, pois mudanças de temperatura são bruscas, mesmo no verão. No inverno as temperaturas ficam próximas de zero, então é sempre bom levar uma proteção extra.

Próximo ao abrigo Rebouças, depois de uma hora e meia de caminhada do acampamento, chega-se à trilha que passa sobre o rio Aiuroca, que corta o vale do planalto. A partir deste ponto, o caminho passa por pontes suspensas e trilhas, até a base da montanha. Há anos atrás, quando iniciei as trilhas pela parte alta, não existiam estas passarelas, e tínhamos de andar sobre pedras, ou mesmo dentro do rio, com temperaturas bem baixas…

Aproximando da base

Após esta caminhada de meia hora até a base, inicia a subida propriamente dita. Recomendo que a subida seja realizada com um guia, ou com a presença de algum amigo já mais experiente e que conheça o caminho. Existem algumas marcas e sinais mostrando a subida, mas não é tão claro assim em alguns pontos. Também em pelo menos dois momentos, pela via principal, é necessário o auxílio de corda para proteção. Existem outras vias, mas todas elas são bem mais difíceis e exigem um conhecimento maior de técnicas de escalada em rocha. A subida é incrível e a vista do vale do rio Aiuroca com as Prateleiras ao fundo fica cada vez mais impressionante.

Vista do topo - Prateleiras e vale do Paraiba ao fundo

Cerca de 1 hora e meia depois, dependendo do condicionamento físico, chega-se ao pequeno pulo do gato, onde o ideal é ter uma corda. A partir dali, poucos metros depois se está no cume de Agulhas Negras, onde a paisagem é impressionante. Depois do esforço, fazer um lanche admirando o mar de montanhas em todas as direções é a melhor recompensa.

Prateleiras

Outro passeio bem interessante é ir até as Prateleiras. Com cerca de 2.600 metros, com uma formação bastante particular, o caminho até a base surge após o abrigo Rebouças. Andando pela estrada principal até seu término, entra-se em uma trilha a direita, e após algumas subidas e descidas chega-se a base da montanha, e próximo a Pedra da Tartaruga.

Pedra da Tartaruga - base Prateleiras

A partir dali, o caminho segue pela parte posterior da montanha, onde a presença de um guia é também importante. Passa-se por fendas dentro da rocha, e por algumas passagens expostas, e se atinge o cume da montanha após 1 hora de caminhada depois da base. Dali, a vista descortina o vale do Paraíba, as cidades de Resende e Itatiaia, e a represa do Funil.

Vista do cume das Prateleiras - represa do funil

Como chegar:

Seguindo a BR 116, na altura do km 330 no Distrito de Engenheiro Passos, pega-se a BR-354 ate o Km 0 conhecido como Garganta do Registro que dá acesso a BR-485 para se chegar ao Portão de Entrada do Parque Nacional do Itatiaia parte alta. Depois de cerca de nove quilômetros de estrada ruim, chega-se ao Brejo da Lapa, localidade plana cercada por araucárias. A partir do Brejo da Lapa, a estrada piora, e tem trechos que parecem o leito pedregoso de um rio. São cinco quilômetros que requerem paciência e perícia dos motoristas. O caminho revela uma vista panorâmica do Vale do Paraíba e da serra Fina.

Vista do cume das Prateleiras - olhando para baixo

O Planalto do Itatiaia é uma seção da Serra da Mantiqueira que compreende altitudes entre 2000 e 2791,6 metros. Nele estão localizados alguns atrativos de grande beleza natural como: o Pico das Agulhas Negras, Prateleiras, Pedras da Maçã e da Tartaruga, Pico da Pedra Sentada, Pico do Couto, Pedra do Altar e a Asa de Hermes entre outros.

Horário de ingresso do Parque: de 7h às 14 h. A permanência estende-se até às 17 horas. A melhor época do ano para visitar a parte alta é entre maio e inicio de outubro, evitando o período de chuvas do final do ano. Nesta época, é possível acontecer chuvas de dias inteiros, e eu mesmo já fiquei preso dentro da barraca sem poder fazer nenhuma caminhadas por 2 dias.

Além de acampamento, a opção de hospedagem é a Pousada dos Lobos – http://www.pousadadoslobos.com.br/.

Links: http://www1.folha.uol.com.br/turismo/946538-acima-de-2000-m-itatiaia-alia-vista-bela-a-via-pessima.shtml